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A FHO

Física, essa linda!
Prof. Huemerson Maceti
10 minutos
Professor de Física e Coordenador do Núcleo Comum de Engenharia da FHO

É só dizer ouvir a Física e todo mundo já sai apavorado. Comumente associa-se Física a termos como "Difícil Pacas", "Chatice" ou "Coisa de Louco!" Mas a coisa não é tão feia quanto parece. Aliás, até que ela é bonitinha. Ousamos dizer até que A Física é Linda!

Mas, afinal, o que é Física?

Desde pequenino, quando pela primeira vez abriu seus olhos, ouviu o bater do coração de sua mãe e sentiu sua temperatura, segurou sua mamadeira, teve contato com seus brinquedos de montar, derrubava os brinquedos do berço, tomava sopa e destruía sua casa, jogando as coisas pelo chão, deu-se início ao seu processo de aprendizagem de física. E não parou por aí...

Você aprendeu a andar de bicicleta, a atravessar uma rua movimentada, a jogar bola, sinuca, a apertar um parafuso. Utilizamos fornos microondas, aparelhos telefônicos, computadores, refrigeradores e chuveiros elétricos. Cada situação dessas é uma verdadeira aula prática de física.

E tantas são as perguntas que cada um de nós é levado a se fazer, tantos são os "porquês" aos quais gostaríamos de poder dar uma resposta...

Por que vemos nossa imagem refletida num espelho?
Por que uma maçã cai no chão?
Por que a Lua não se precipita ao solo como uma pedra (ou a maçã de Newton)?

Procurar respostas para essas e para outras infinitas perguntas, como “de onde viemos?” e “para onde iremos” constitui uma necessidade instintiva que é tão antiga quanto o homem.

A Física (do grego physis, ‘natureza’) é a ciência que se propõe a descrever e a compreender os fenômenos que se desenvolvem na natureza. Ela não é um conjunto de conhecimentos completos e para sempre imutáveis; ao contrário, ela é algo que cresce e também se modifica.

Constantemente surgem novos campos de estudo e fenômenos que aparentavam ser independentes, sem qualquer relação entre si, passam a revelar-se como aspectos diferentes de um único fenômeno mais geral. A cada dia, novos fenômenos são descobertos e, com eles, novas leis devem ser propostas e novas teorias elaboradas.

Constantemente surgem novos campos de estudo e fenômenos que aparentavam ser independentes, sem qualquer relação entre si, passam a revelar-se como aspectos diferentes de um único fenômeno mais geral. A cada dia, novos fenômenos são descobertos e, com eles, novas leis devem ser propostas e novas teorias elaboradas.

Originalmente, chamava-se "físicos" todos aqueles que se dedicavam ao estudo da natureza. Mais tarde, com o desenvolvimento do conhecimento, o campo de atuação subdividiu-se em várias partes, que se tornaram capítulos separados da Ciência. Assim, a Astronomia estuda os corpos celestes, a Biologia tem por objeto o estudo dos seres vivos, a Química estuda as transformações das substâncias, e assim por diante.

E o que a Física estuda?

O que caracteriza a Física não são tanto seus conteúdos, mas sim seu método experimental. Ele se baseia nas observações e nas experiências, e permite formular as leis físicas, habitualmente expressas por fórmulas matemáticas.

A introdução da investigação experimental e a aplicação do método matemático contribuíram para a distinção entre Física, filosofia e religião, que, originalmente, tinham como objetivo comum compreender a origem e a constituição do Universo.

Por que passar horas estudando fenômenos estranhos à sua busca cotidiana, como alavancas, espelhos e lentes? Porque é assim que o corpo humano funciona... Veja exemplos:

A medicina utiliza com muita propriedade suas ferramentas, como tomógrafos, raios laser, raios-x, estetoscópios entre outros.

As alavancas utilizadas em artes marciais, como o judô, o jiu-jitsu e o aikido, que também utilizam a energia do oponente ao seu favor; os movimentos de rotação no balé; os impulsos elétricos que caminham pelo corpo e que podem ser utilizados em práticas de fisioterapia; as transformações de energia que ocorrem no corpo humano e são utilizadas para a prática de todos os tipos de esporte (sejam eles físicos ou mentais, como o caso do jogo de xadrez) são estudados pelos físicos. Uma pessoa concentrada em um jogo de xadrez consome tanta energia como uma lâmpada de 100W.

Utilizamos conceitos importantes de temperatura e calor, de máquinas “centrífugas”, de fenômenos como decantação e eletricidade no corpo humano, assim como os efeitos ópticos e acústicos como a transmissão do som, cordas vocais, transmissão elétrica (do ouvido para o cérebro), ondas (reflexões e transmissões), entre outros.

O uso de modernas teorias físicas de redes neurais e transmissão e armazenamento de informações no cérebro humano servem de fonte de estudos para se entender o funcionamento do cérebro.

Quando vamos a um consultório odontológico, nos deparamos com novos materiais (na restauração e no maquinário), ar comprimido, cadeiras hidro-pneumáticas, iluminação adequada, instrumentos de assepsia como lâmpadas ultravioleta e, atualmente, o raio laser.

Assim, não encontramos um ramo do conhecimento humano que não utilize as leis da física, através de suas contribuições para as revoluções históricas como a revolução industrial e a era quântica, a geografia com o estudo do clima, perícias técnicas para os advogados e medições de impactos ambientais, através de sofisticados equipamentos e os peritos em computadores, que utilizam uma invenção da física, que revolucionou o mundo da informática, a linguagem de hipertexto, padrão de comunicação para a rede mundial de computadores.

As donas de casa utilizam suas idéias ao cozinhar um alimento, ligar o chuveiro elétrico, utilizar o microondas e até mesmo na escolha sobre o que desligar na hora do racionamento de energia elétrica. E não podemos nos esquecer dos óculos, dos eletrodomésticos e até mesmo de ferramentas simples, como chaves de fenda, martelos (até o de “bater carne”) e os novos materiais que invadem nossas casas todos os dias.

Um bom curso de Exatas deve formar profissionais qualificados, com alto senso ético e respeito pela natureza.

“E como será a Física do Futuro?”. Você pode fazer uma viagem hipotética pelos próximos 100 anos de inovação, juntamente com o Físico Michio Kaku (A Física do Futuro, 2011), sobre como a ciência moldará o destino da Humanidade e o nosso cotidiano nas próximas décadas, do rápido avanço dos computadores, telecomunicações, biotecnologia, inteligência artificial e nanotecnologia, onde poderá visualizar como a “Física é linda” e entender que o maior desafio para a sociedade do futuro será continuar investindo no desenvolvimento científico e tecnológico.

Conhecer a sua “ciência” requer conhecer não apenas os conceitos que a envolvem, mas também os pensamentos e os pensadores que a edificaram. A história da nossa área de estudos é vital para que possamos edificar nosso conceito de ciência e cultura. Não se faz ciência sem paixão... Assim como não se produz um belo texto ou uma música de qualidade.

Assim, fazemos um pedido: não se rotule, nem se deixe rotular por “sou dessa ou daquela área (humanas, exatas ou biológicas)”. Entenda que o conhecimento é um todo e que o mundo precisa de profissionais com visões amplas de mundo. Não se deixe levar por pessoas que dizem que “isso é muito difícil”, ou que “você está perdendo tempo estudando”. Mantenha o foco e conseguirá conhecer lugares e um mundo que os acomodados não conseguirão, e não nos referimos aqui à viagens apenas físicas.

Você pode! Faça a diferença!
Que a massa x aceleração esteja com você!